Muito se tem discutido e pesquisado sobre a origem e evolução do Choro.
Algumas questões estão pacificadas. O Choro surgiu no Rio de Janeiro, algum tempo antes de 1900. Portanto, é um senhor com idade superior a 100 anos.
O Choro surgiu com o “modo” que o músico popular brasileiro da época adotou para executar as musicas européias que aqui aportavam. Uma das características mais marcantes do choro é a liberdade de improvisação do intérprete, quando cada um, a seu modo, pode demonstrar toda sua virtuose.
Uma visão mais sociológica do Choro é a de Ricardo Tadeu Marques da Fonseca. “Aos escravos não era permitido o acesso aos bailes e saraus brancos, como sói acontecer. Ouviam a música que lá se produzia e, utilizando-se de instrumentos que lhes eram mais acessíveis, reproduziam a estrutura melódica da música branca, acrescentando-lhe, todavia, o ritmo negro. O choro é, portanto, a soma do batuque, do lundu, com a música portuguesa, a polca, a valsa, o minueto, e de outros mais.”
A este modo característico de interpretar, carregado de sentimentos, dolentes, chorosos..., atribuiu-se a denominação do gênero. Por conseguinte os intérpretes de Choro ficaram, e são até hoje, conhecidos como “Chorões”. De músicos chorões para o choro foi um pulo.
O mais contraditório que o Choro é uma música extremamente alegre, brejeira, buliçosa. Isto tudo com o nome de Choro. Deveria se chamar Alegria, seu principal ingrediente, que é uma das principais características da alma brasileira.
No período de sua existência, como todo gênero musical, teve momentos de extremo sucesso como também, amargou, por um tempo, um inexplicável ostracismo.
Por muito tempo o Choro ficou na memória das pessoas como se fosse um gênero “antigo”, “velho”, “coisa do coroa”. Foi-se este tempo. Hoje o Choro mostra toda sua exuberância com o momento que vive.
Temos hoje, distribuído por quase todo o Brasil, Clubes do Choro.
Estas instituições, de caráter eminentemente cultural, divulgam, conservam e mantém viva a tradição do Choro.
Vários são os artistas novos que incursionam pelo gênero. Incontáveis são os artistas consagrados que são chorões extemporâneos ou mesmo já beliscaram no choro.
A propósito, o mineiro Wagner Tiso, afirmou que; “... todo músico brasileiro, quando pensa em música instrumental brasileira, pensa em choro automaticamente.
NO INÍCIO ERA A FLAUTA, O VIOLÃO E O CAVAQUINHO...
A forma original de interpretar e compor para o Choro, estava estruturada na formação musical composta de flauta (solista), cavaquinho (centro) e violão (baixaria).
O Choro era geralmente executado em uma roda de músicos, reunidos na casa de um admirador ou outro músico, onde se sentavam em torno de uma mesa, de preferência no quintal, a sombra de alguma arvore, sempre servida de bebida e comida. Esta a autêntica roda original de choro.
Na esteira da evolução, outros instrumentos de sopro e percussão foram acrescidos gradualmente à formação original.
Nos anos trinta, o padrão de interpretação do Choro passa a ser o Conjunto Regional, cuja formação básica e tradicional está composta de dois violões, cavaquinho, pandeiro e flauta. Mais tarde foram acrescentados outros instrumentos, tais como o acordeom e o bandolim.
Waldir Azevedo e Jacob do Bandolim, a partir do fim da guerra, em 1945, foram responsáveis, pelo gradativo sucesso do choro, reinando absolutos até a dita renovação dos anos setenta, com a realização do show “Sarau” que contava com Paulinho da Viola, Copinha e Conjunto Época de Ouro.
Os pioneiros, sempre lembrados, Joaquim Calado e Patápio Silva, Anacleto Medeiros, Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazaré.
A geração de ouro: Pixinguinha, Benedito Lacerda, Abel Ferreira, Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, Radamés Gnattali, Garoto e Altamiro Carrilho.
Hoje, prosseguindo, temos Zé da Velha, Mauricio Carrilho, Henrique Cazes, Carlos Malta, Joel do Nascimento, Deo Rian, Armandinho, Yamandu Costa, Paulo Moura, Turíbio Santos, Paulinho da Viola e tantos outros.