Vinicius de Morais, um dos ícones da Bossa Nova, residia nos Estados Unidos. Quando decidiu retornar ao Brasil foi muito questionado pela sua decisão. Sua explicação veio através de um poema, resumido abaixo, onde declarou, ao mesmo tempo, suas razões e todo o seu amor pelo Choro.
"Olhe aqui, Mr. Buster: está muito certo que o Sr. tenha um apartamento em
Park Avenue e uma casa em Beverly Hills ...
Um poço de petróleo trabalhando de dia para lhe dar dinheiro e de noite para lhe dar insônia...
Está muito certo que em ambas as residências o Sr. tenha geladeiras gigantescas...
Que em suas mesas as torradas saltem nervosamente de torradeiras automáticas...
E suas portas se abram com célula fotoelétrica...
Está muito certo que o Sr. tenha cinema em casa para os meninos verem filme de mocinho...
Isto sem falar nos quatro aparelhos de televisão e na fabulosa hi-fi, com alto-falantes
espalhados por todos os andares, inclusive nos banheiros ...
Mas me diga uma coisa, Mr. Buster...
Me diga, sinceramente uma coisa, Mr. Buster:
O Sr. sabe lá o que é um choro de Pixinguinha? ... "
Opinião semelhante é do critico de música Sergio Cabral, no livro sobre a vida e obra de Pixinguinha: “Num plano mais subjetivo, Pixinguinha preenche com sobra uma exigência feita a qualquer compositor: suas músicas são extremamente bonitas. São dotadas daqueles fatores que atingem a emoção do ouvinte, fazendo-o gostar do momento em que vive. Para usar um jargão atual, as músicas de Pixinguinha ajudam a melhorar a qualidade de nossas vidas.”
Outra história deliciosa sobre o Choro teria acontecido com o maestro Villa-Lobos.
Na autobiografia de Souza Lima, pianista que sempre acompanha o mestre, ele conta que:”... veio de Paris juntamente com Villa-Lobos para realizar uma "tournée" ao norte do Brasil. Numa das noites, após o concerto, quando voltavam a pé para o hotel, ainda de casaca, ouviram o som de flauta, cavaquinho e violão nas proximidades. Ao localizar de onde vinha a música, Villa exclamou: "É com eles que eu vou". Souza Lima termina dizendo que Villa-Lobos voltou ao hotel de madrugada, felicíssimo!”
Alexandre Gonçalves Pinto, autor do livro “O choro”, também conhecido como Animal, conta que no inicio do século XX, as grandes cozinheiras eram fator primordial para comparecimento dos músicos nas tradicionais rodas de choro no quintal. Como a maioria dos músicos, na época, andava a procura de uma boca livre – comida e bebida- a solução, antes de começar a tocar, era vistoriar o fogão. Se encontrasse um gato dormindo, adeus. Podia ir embora. É que, em casa que gato dorme sobre o fogão, nunca tem comida.